O pertencimento significa que todos os membros de uma família têm o direito de fazer parte dela, independentemente de suas escolhas, comportamentos ou destinos. A ordem significa que existe uma hierarquia na família, baseada na precedência temporal e na função de cada um. O equilíbrio significa que deve haver uma troca justa entre dar e receber nas relações familiares, sem que haja excessos ou carências.

“Aquilo que é seu, deixo contigo e levo o que é meu”

A constelação familiar é uma prática terapêutica que busca resolver conflitos familiares que atravessam gerações e que podem afetar a vida de uma pessoa. Segundo o criador da técnica, Bert Hellinger, todos os membros de uma família estão conectados por um campo energético que ele chamou de campo morfogenético. Nesse campo, existem leis que regem o equilíbrio e a harmonia do sistema familiar, que são: o pertencimento, a ordem e o equilíbrio.

O pertencimento significa que todos os membros de uma família têm o direito de fazer parte dela, independentemente de suas escolhas, comportamentos ou destinos. A ordem significa que existe uma hierarquia na família, baseada na precedência temporal e na função de cada um. O equilíbrio significa que deve haver uma troca justa entre dar e receber nas relações familiares, sem que haja excessos ou carências.

Quando essas leis são desrespeitadas, ocorrem os emaranhamentos familiares, que são situações de desequilíbrio, sofrimento ou repetição de padrões negativos que afetam os membros do sistema. Esses emaranhamentos podem ser originados por eventos traumáticos, como mortes, separações, violências, abusos, abortos, exclusões, segredos, entre outros.

A constelação familiar visa identificar e desfazer esses emaranhamentos, por meio da representação simbólica dos membros da família e de suas relações. Durante a sessão, o constelador (terapeuta) orienta o constelado (cliente) a escolher pessoas ou objetos que representem os integrantes de sua família e os posiciona conforme o que sente. A partir daí, o campo morfogenético se manifesta, revelando as dinâmicas ocultas que estão gerando conflitos ou dificuldades.

O constelador, então, intervém com frases, movimentos ou gestos que visam restabelecer a ordem, o equilíbrio e o pertencimento no sistema familiar. Essas intervenções têm o objetivo de trazer à luz o que estava oculto, reconhecer o que foi excluído, honrar o que foi esquecido, agradecer o que foi recebido e liberar o que não pertence.

É nesse contexto que surge a frase “Aquilo que é seu, deixo contigo e levo o que é meu”. Essa frase é uma das possíveis intervenções que o constelador pode usar para ajudar o constelado a se desvincular de cargas emocionais, crenças limitantes, lealdades invisíveis ou identificações inconscientes que esteja carregando de sua família de origem ou de outras gerações.

Essa frase significa que o constelado reconhece e respeita o destino de cada um de seus ancestrais, sem julgar, criticar ou interferir. Significa também que o constelado se liberta de qualquer culpa, obrigação ou expectativa que possa ter em relação a eles. Significa, ainda, que o constelado assume a responsabilidade pela sua própria vida, sem depender ou culpar os outros por seus problemas, ou insucessos.

Ao dizer essa frase, o constelado expressa o seu amor e a sua gratidão pela sua família, mas também afirma a sua individualidade e a sua autonomia. Dessa forma, ele se abre para novas possibilidades, escolhas e experiências, sem se sentir preso ou limitado pelo passado. Ele se torna, assim, um membro mais saudável e feliz do seu sistema familiar.